segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vapor d'água





Ela olhou pelo retrovisor, mas ele não estava mais lá. Como se uma memória pudesse se desvanecer como o vapor de uma xícara de chá quente. Seria bom se assim fosse, mas não é assim que as coisas funcionam. Agora as memórias dela seriam o único elo que ela teria com aquela criança que fora seu filho por dois anos.

Uma mãe jamais esquece seus filhos, é o que dizem. E enquanto o caminhão se distanciava do campo, ela imaginava o que seria do pequeno em seu pijama listrado de azul e branco. A guerra trouxera um horror que ficara escondido por muitos anos na superfície. Homens se transmutaram em monstros, e toda a população se tornou refém daquela horda que vestia farda e dizia ter alguma autoridade.


Uma noite ela voltou até o campo e parou em frente à grade. Sob a luz baça da lua ela se ajoelhou e chorou por alguns minutos, retornando para a vila em seguida. Parecia não haver mais esperança, mas ela ainda acreditava.

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