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BATMAN: ARKHAM KNIGHT - RESENHA

Batman: Arkham Knight, Marv Wolfman, tradução de Alexandre Callari, 1ª edição, Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2016, 272 páginas.

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Arkham Knight, um dos últimos lançamentos da DarkSide Books, é um livro que impressiona. O design gráfico respeita o estilo gótico do personagem, a tipografia combina perfeitamente, a lateral das páginas é tingida de preto, ele vem com um marcador de páginas em tecido preto e a capa é uma obra de arte. Feita em tecido, como os antigos livros do século XIX, estampa um logotipo do morcego em baixo-relevo, mesma técnica utilizada na lombada, onde se destaca a caveira símbolo da editora. O fato é que o livro é lindo, mas fica a dica, a capa de tecido é bem sensível, você precisará ter um cuidado extra com esse livro, pois ele pode desfiar.

A versão gringa do livro é apenas mais um paperback na estante, não tem nada de mais, o que só ressalta o cuidado da DarkSide quando resolve traduzir e lançar um livro no Brasil. O design e a capa ficaram a cargo do estúdio Retina 78, e a impressão é toda feita no Brasil pela Geográfica. A tradução é perfeita e a revisão cuidadosa, embora alguma coisa tenha sido deixada para trás, mas nada que comprometa.

Se eu comprei o livro pela capa, posso dizer que não me arrependi. Já conhecia o trabalho de Marv Wolfman como roteirista de quadrinhos (Blade, Crise nas Infinitas Terras e Novos Titãs), mas não fazia ideia se ele seria um bom contador de histórias em prosa. Marv Wolfman se mostrou um escritor muito competente, conseguindo inserir muitas informações relevantes sobre o universo DC enquanto desfilava a galeria de personagens psicóticos de Gotham City. Ele mantém um bom ritmo narrativo, apesar do desafio que teve ao adaptar um game para o formato livro. Em algumas passagens parece que estamos em níveis de um game, mas ele faz o possível para não deixar transparecer que se trata de uma versão para um jogo.

O livro inicia com a seguinte sentença, que por si só já é um gancho e tanto, e deixa bem claro por que esse é um título DarkSide Books:


Se eu tivesse que situar o livro em um gênero, seria o de ação. Mas no decorrer do volume as cores vão sumindo e um clima de terror domina a trama. Há cenas realmente pesadas na quarta parte do livro. O enredo não é lá muito original: o vilão Espantalho resolve espalhar seu gás do medo através de um aparelho vaporizador e mergulhar Gotham no caos. Quantas HQs já foram produzidas com esse enredo durante os vários reboots da DC? Esse é exatamente o enredo do filme de Christopher Nolan “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. Com uma trama batida dessas, Marv Wolfman teve que rebolar para fugir dos clichês do morcego. E se sai bem, surpreendendo o leitor várias vezes com reviravoltas inteligentes. O fato de trabalhar com um grupo de personagens já cristalizado na mente dos leitores facilita muito, afinal ele não perde tempo explicando a origem de Espantalho, Asa Noturna, Robin, Arlequina, Coringa, Pinguim, Duas Caras, etc.

Apesar de ser anunciado como a romantização oficial do game do ano, a história difere da história do jogo, havendo variação nos personagens e no modo como a história se desenvolve, embora a trama principal se mantenha a mesma.



Quando Batman se vê em uma enrascada, ele aciona o CEO da Wayne, o Sr. Lucius Fox. Lucius é um gênio da tecnologia que desenvolve soluções para o Cruzado Encapuzado a todo momento, mas algo que incomoda no livro é que algumas vezes essas soluções são mágicas demais, coelhos saídos da cartola soam um tanto quanto artificiais.

Quanto à cronologia, o livro obedece a cronologia de eventos estabelecida na série de games Arkham, sendo este o último da série. O desenvolvimento dessa série ficou a cargo de Paul Dini, escritor dos primeiros dois jogos da série, que afirmou que não estaria envolvido na sequela de Arkham City. Não escreveu nenhum dos conteúdos adicionais (incluindo Harley Quinn's Revenge), afirmando até que a Warner Bros. e a Rocksteady sugeriram que ele devia aceitar outro trabalho se lhe fosse oferecido. A Rocksteady optou por usar o seu próprio grupo de escritores, liderados por Sefton Hill, com alguns elementos do argumento por Martin Lancaster; Geoff Johns serviu como consultor para o enredo.

O livro de Marv Wolfman tem uma prequela, chamada Batman: Arkham Knight – O Lance do Charada, escrita por Alex Irvine e publicada no Brasil pela Gryphus.

Conclusão: o livro vale a leitura, e se você for fã do universo do morcego ou apenas um admirador. Encontrará muitas referências ao longo do volume. A grande vantagem da literatura é poder usar a imaginação na recriação dos cenários, da ambientação e dos personagens. Isso significa que você vai dar a cara que quiser aos já conhecidos personagens da DC. Qual seu Batman preferido? Você pode escolher a versão de Alan Moore, a versão de Scott Snyder, a versão estilizada para o game Arkham, Adam West, Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney, Christian Bale, Ben Affleck, Idris Elba, Andrew Lincoln... basta imaginar, desta vez é você quem manda.







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